Veremos o que se vai passar. Por essas terras tem havido muita chuva,
com as respectivas inundações Mas a noite está tranquila, por ora. Comentadores
riem...
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14.ª
tempestade, a mais precoce com a letra N. Nils arrasta rio atmosférico de 7 mil
km e massa de ar húmido: chuva e vento até sexta
Um
sistema frontal da tempestade vai trazer muita chuva e vento até sexta. Depois,
podem chegar os primeiros dias com sol desde o início do ano. E, no final da
próxima semana, talvez, haja primavera.
▲A chuva intensa será mais forte no norte e centro e
sentir-se-á menos a sul. Ao longo de três dias FILOMENA MARTINS: TEXTO
OBSERVADOR, 10 fev. 2026, 22:39 5
Aí
está uma nova tempestade. Vai ser a Nils — nomeada pela Météo-France (Serviço
Meteorológico Francês, porque vai atingir sobretudo território francês) —
a arrastar para cima de Portugal o enorme rio atmosférico, carregado de
vapor de água, que está a atravessar o Atlântico desde as Caraíbas ao longo de
7 mil km, e também uma massa de ar quente e húmido, que manterá as temperaturas
amenas. Atingirá o continente esta terça à noite, manter-se-á ao longo dos dias
de quarta e quinta e ainda se fará sentir na sexta-feira, 13. Trará outra vez
chuva intensa, constante e persistente durante horas. E também, de novo, vento
forte, com rajadas até 100 km/h. Além da agitação marítima, que tem sido
constante, com ondas que podem chegar aos 11 metros.
Portugal não sofrerá directamente o
impacto da Nils, mas sim de um sistema frontal que lhe está associado — a Nils
levará os seus efeitos para França, onde pode chegar com os efeitos que a
Kristin causou em Portugal. Será esse
sistema frontal a arrastar quer o rio atmosférico, quer a massa de ar quente e
húmida para cima da Península Ibérica. A chuva intensa será mais forte no
norte e centro e sentir-se-á menos a sul. Ao longo de três dias.
O
vento também voltará a soprar forte, com rajadas até 75
km/h, podendo atingir os 100 km/h nas terras altas, particularmente nas regiões a norte do rio Mondego. A agitação
marítima continuará igualmente a ser forte na costa ocidental, prevendo-se
ondas de noroeste com 4 a 6 metros, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte do Cabo Mondego, segundo o
comunicado do IPMA.
O
IPMA já emitiu avisos laranja e amarelos para
chuva, vento e agitação marítima
que duram até sexta-feira, 13. Para
esta quarta-feira, estão sob alerta laranja para chuva intensa, entre as 6h00 e
as 18h00, nove distritos: Santarém, Leiria, Coimbra, Viseu, Aveiro, Porto,
Braga, Vila Real e Viana do Castelo. À
excepção de Faro, Beja e Évora, os restantes distritos têm aviso amarelo
para chuva, das 9h00 às 18h00.
Para vento, há alertas amarelos, das 12h00 às 21h00, para
Castelo Branco, Guarda, Vila Real, Viseu, Braga, Viana do Castelo e Porto.
Para agitação marítima, há alertas laranja a partir das 15h00 desta
quarta-feira e até às 15h00 de quinta em Coimbra, Aveiro, Porto, Braga e Viana
do Castelo. O resto da costa está sob aviso amarelo.
Os
alertas voltam para o final da tarde de quinta e madrugada de sexta-feira, 13,
agora para o sul. Lisboa, Santarém, Portalegre, Setúbal e Évora terão de estar
preparados para a precipitação forte entre as 18h00 de quinta-feira e as 6h00
da manhã sexta.
A
10 de fevereiro vamos já na letra N
na nomeação de tempestades pelos sistemas do IPMA, AEMET (Espanha) e
Météo-France (França), sendo que a Nils é a 14ª tempestade desta
temporada, que começou em outubro. É o ano em que mais cedo se chega à
letra N. Tal como foi o ano em que mais cedo se chegou ao M, com a Marta, a 5
de fevereiro. O M mais precoce até agora tinha sido o da Myriam, a 3 de março
de 2020.
De
outubro a dezembro houve seis tempestades, uma delas, a primeira, foi uma DANA,
a Alice, que mal atingiu Portugal. Seguiram-se o Benjamim, a Claudia, a Davide,
a Emilia e a Francis (também pouco nos chegou, começou no Mediterrâneo e
provocou danos consideráveis em Itália). Mas desde janeiro somamos já,
em menos de mês e meio, oito tempestades de grande impacto: a Goretti
(6 janeiro), a Harry (16 janeiro), a Ingrid (20 janeiro), a Joseph (25
janeiro), a Kristin (27 janeiro), a Leonardo (2 fevereiro), a Marta (5
fevereiro) e, agora, a Nils (10 fevereiro).
Como
é possível ver, neste comboio de tempestades, a maior distância foi de seis
dias entre a passagem de duas (e houve frentes entre elas) e a menor de apenas
dois dias (entre a Joseph e a devastadora Kristin, que nasceu de um núcleo da
própria Joseph). O que levou à situação actual: barragens cheias,
caudais de rios a transbordar, inundações, abatimentos, derrocadas e
deslizamentos de terras.
Entre
a madrugada desta quarta-feira e sexta, 13, em apenas três dias, este
longo rio atmosférico associado à massa de ar quente e húmida (ambos vão
entrar na zona fria da atmosfera e “cair” em forma de chuva), podem resultar em
50 a 100 mm de precipitação, e até atingir 100 a 200 mm nas zonas de maior
altitude do centro e norte. Os distritos onde se esperam os valores de
precipitação mais altos são os que ficam no litoral, acima de Lisboa: Leiria,
Coimbra Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo.
Chegamos
assim a sábado, 14, dia dos namorados. As boas notícias é a de que as
temperaturas (ainda) serão amenas (máximas que podem chegar aos 15ºC/16º e
mínimas entre os 9ºC/10ºC até lá), a chuva terá passado apenas apenas a
aguaceiros fracos e o sol até vai aparecer. Será assim, pelo menos, até
terça-feira de Carnaval, dia 17. Dias sem chuva, pela primeira vez
desde o início do ano. Mas já com mais frio, porque ar árctico entrará pelo
norte e vai impor, pelo menos, geadas, talvez até neve, ainda é incerto.
Mas, seguramente, uma queda das temperaturas em 3/4 graus. E ainda não será
tempo para a chuva se ir de vez: pode voltar a chover de forma mais intensa
outra vez na quarta-feira de cinzas e haver um ou outro episódio mais forte de
precipitação mais a norte.
Há, no entanto, um novo padrão
atmosférico em formação: a partir
deste fim-de-semana, o Anticiclone dos Açores parece ter acabado as férias nas
Canárias, de onde parece também voltar mais forte depois deste longo descanso,
para se instalar no seu local habitual, mais a norte. E
isso vai desfazer os bloqueios actuais, que têm permitido manter esta
autoestrada de tempestades em direcção à Península Ibérica e também o caminho
aberto para os rios atmosféricos. E trará
um tempo menos extremo.
Isto porque o o fluxo polar também
subirá mais para norte, tudo se encaixará e voltará a uma certa normalidade. Um final de fevereiro já a anunciar
Primavera? Ainda é impossível fazer previsões
finas a tão longo prazo, mas já é possível dizer com alguma certeza que parecem
vir aí melhores dias.
COMENTÁRIOS:
Maria
da Luz Bueno: Mas
quando é que o S. Pedro fecha as torneiras???
Paulo Valente: Filomena,
para quê tantos ‘inserts’ a dizer a mesma coisas mas em diferentes línguas?
Paulo Machado: O
mundo vai acabar. Temos que ter medo de tudo.
José Miguel Pereira > Paulo Machado: Valentão.
Pertinaz: Já chegou?