sábado, 19 de setembro de 2026

Pena

 

Será também um modo de ser inconformista, que nos faz criticar com gosto, indiferente ao que de bom também temos.


É disto que o meu povo gosta

Se toda a governação abusa da propaganda, aqui a propaganda substituiu completamente a governação, que sobrevive para asfixiar tudo em redor.

 ALBERTO GONÇALVES - Colunista do Observador

OBSERVADOR, 19 set. 2026, 00:25

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Lembram-se de quando o prof. Marcelo prometia, pela sua saudinha, não voltar a comentar a actualidade logo que deixasse Belém? Ele também não se lembra, por isso comenta o que calha a cada oportunidade. Há dias, esteve num colóquio em Aveiro e disse o seguinte: “Nós somos a Europa, mas somos vistos como sendo uma ilha no meio do Atlântico. Nós somos, sobretudo, seguros e confiáveis (…) Encontramos economistas, financeiros, banqueiros e tal a dizer que grande bigodaça que vocês estão a dar, porque de facto estão a conseguir, que se possa ter confiança e ter segurança na realidade portuguesa. Nós já intuímos isso, sabíamos isso. Mas agora é indiscutível”. E de seguida acrescentou: “Eu vou a qualquer reunião internacional e agora vou como ‘outsider’ (…) mas gosto de ouvir nos aviões em que venho dizer, ah, eu desloquei-me agora para Portugal, porque é para decidir e é para investir numa coisa e tal, e estou a pensar num projecto e tal.

É curioso e tal que eu faça uns voos internacionais e tal e nunca tenha ouvido tais proclamações e tal. É possível que se deva ao facto de viajar rodeado de pelintras em “turística” e não de economistas, financeiros, banqueiros e tal. Mas a hipótese mais provável para não ouvir semelhantes louvores à “bigodaça” portuguesa é os louvores jamais terem sido ditos, ou apenas terem sido ditos por interlocutores que desesperadamente procuravam livrar-se daquele sujeito que, inquieto no lugar 12C, dizia em voz demasiado alta ser ex-chefe de Estado e tentava arrancar-lhes elogios ao país. Como costuma acontecer nos interrogatórios a cargo de polícias inflexíveis, uma pessoa acaba a confessar o que eles quiserem: “Portugal?”, despacha atrapalhado o “banqueiro” que na verdade é cabeleireiro de profissão e retornava das férias em Albufeira, “um espectáculo. Um sonho. A humanidade tem muito a aprender convosco. E agora peço-lhe desculpa já que tenciono terminar o ‘Barbie’ antes de aterrar em Bruxelas.”

Embora o prof. Marcelo seja um ser peculiar, a essência da sua recorrente ladainha “patriótica” não difere da quase totalidade dos primeiros-ministros que temos tido, hoje o dr. Montenegro, ontem o dr. Costa, uns anos antes o “eng.” Sócrates. Saltei deliberadamente Pedro Passos Coelho na medida em que, desde épocas imemoriais, foi o único, e aparentemente o último, governante capaz de confrontar os portugueses com factos. Os restantes oferecem-nos alucinações, descabeladas mentiras acerca do “sucesso” pátrio, tão potente que deixa o mundo pasmado e, afinal, invejoso. Salvo a referida excepção, Portugal não dispõe de estadistas, e sim de vendedores de fancaria. E quanto mais óbvia é a fancaria mais saída tem. E mais pelintras ficamos. Se toda a governação abusa da propaganda, aqui a propaganda substituiu completamente a governação, que sobrevive para asfixiar tudo em redor. Mesmo numa Europa em desvario e queda, conseguimos a proeza de empobrecer por comparação, a proeza de olharmos para baixo e já só vermos a Grécia e a Bulgária. Isto enquanto ainda vemos alguém.

Cá dentro, o que vemos são embusteiros, socialistas tímidos ou descarados dispostos a atropelar os habituais limites da intrujice política para transformar o poder numa máquina de cobrança de impostos, distribuição de empregos, “gestão” dos lendários “fundos” e, nos intervalos da propaganda, lançamento de humilhantes e falsas esmolas de modo a mitigar a crise que, eles fiquem ceguinhos, não existe. E para reduzir os sucessivos governos a monólitos valentemente insusceptíveis de uma reforma, uma mudança, um rasgo e um risco que beliscassem a desgraceira em curso e incomodassem as sondagens. Se for necessário descer à ignomínia da analogia futebolística, à imagem dos nossos eruditos líderes, desço: em equipa que perde não se mexe. Ou mexe-se para que a equipa continue a perder.

 

É disto que o meu povo gosta? Corrijo a pergunta, a fim de evitar generalizações: é disto que uma quantidade significativa de eleitores gosta? Receio que sim. Como no Sísifo de Camus, é preciso imaginar os portugueses felizes, no mínimo resignados em passar os dias a contornar rotundas de cidades tristes no regresso do trabalho na câmara ou no escritório, a caminho de um serão com a Netflix e o sonho do fim-de-semana com bola e restaurante para fotografar a comida e despejar o pastiche de alegria nas “redes”. Se os miúdos estiverem distraídos com o telemóvel e os graúdos esquecidos dos encargos no fim do mês, que um milagre talvez impeça de chegar, está tudo bem.

Não está nada bem. Claro que não faria sentido sonhar com a nação pujante e digna de admiração que os embusteiros agitam para consumo das massas, infelizmente eficaz. Mas podíamos ser, e estar, um bocadinho melhor do que somos e estamos. Acontece que o processo implicaria tempo, moderado sofrimento e imensa coragem. Por azar, coragem é o que a classe política não possui e sofrimento é o que os cidadãos não toleram, nem sequer em nome do “futuro” com que apenas fingem preocupar-se sob a retórica indolor dos cataclismos vagos ou longínquos ou fictícios. Tempo é o que nos sobra, incluindo para recordar o cliché de que vivemos acima das nossas possibilidades. O problema é que jamais nos ocorre elevar as possibilidades, embora sejamos exímios a adaptarmo-nos a uma vida que desce – e a torcê-la para disfarçar a descida. Perante a hipótese de, com sacrifício, “isto” poder ser melhor, consolamo-nos com a suspeita de que, sem esforço nenhum, isto podia ser pior. É uma hipótese cujo acerto comprovamos ano após ano.

Governo       Política

COMENTÁRIOS (de 38)

Maria Paula Silva

Excelente e deprimente!

"o processo implicaria tempo, moderado sofrimento e imensa coragem", resumindo o processo, implica que trabalhem!   O que falta a Portugal é decisores e governantes honestos que TRABALHEM.

Do Luisinho Monte Rosa nem vale a pena falar, o arrogante parolo casmurro está em queda livre. Nem com os bombons e tostões que oferece antecipadamente pró Natal se vai safar.  Se tiver 2 dedos de honestidade (o que duvido) estará à beira de se arrepender, se não for totalmente apoucadito, já deve ter percebido que não tem unhas pra isto.

Quanto ao MRS, sempre igual a si próprio, fiquei muito admirada (sem encontrar uma explicação plausível) quando anunciou pouco depois de acabar o 2º mandato que abdicava da reforma vitalícia de PR.  Confesso que andei perplexa durante meses, pois aquilo não encaixava na personalidade que, infelizmente, conheço bem demais.   Mas a perplexidade desapareceu quando recentemente li uma notícia (aqui) em que começavam por anunciar as perdas financeiras de sua excelência (grande truque malabarístico de matemática mal explicada) do princípio para o fim do seu árduo mandato, mas mais pr`ó fim lá explicavam, Graças a Deus para a minha perplexidade que desapareceu nesse instante, o que fazia sua excelência desde que tinha terminado o mandato:

ocupava um gabinete a 1,2 km do Palácio de Belém, onde mantinha a expensas do Estado as suas duas secretárias (nomes vinham mencionados), o mercedes não sei das quantas + o motorista, tudo a expensas do Estado. E onde, se entretinha a enviar uns emails protocolares (seja lá o que isso for) e a dar uns beijinhos de vez em quando a outros chefes de Estado, etcetra.

Pronto, estava explicada a abdicação da reforma vitalícia.   No meio do riso que não conseguia conter, surgia na minha mente, quanto tempo antes ele teria estado a cozinhar aquela "reforma", a quantas pessoas teria ele dado a volta, que intrigas teria feito para que a coisa acabasse por lhe ser oferecida de bandeja. Maganão, quando se nasce aldrabão, morre-se aldrabão.

A aldrabice maior fez ele com as Gémeas e o teatrinho em se zangar com o filho, para que este fosse o "cordeiro sacrificado". Agora, tal como eu previra também, está, como bom católico (ooopsssss....) a tentar "aproximar-se" do filho.   Benzódeus, Nosso Senhor! 

É como dizia Paulo Portas numa entrevista ao Herman, nos anos 90 quando MRS manifestou publicamente o desejo de ser 1º ministro:  "Deus deu-lhe a inteligência e o diabo deu-lhe a maldade, por isso uma pessoa que mente e me enganou com a história da Vichyssoise onde tudo era mentira, não pode concorrer a 1º ministro, é um aldrabão!"

Portanto, "dizer coisas" é aquilo que sempre fez. O que admira é haver ainda gente que perca tempo a ouvi-lo.  É mais uma das provas da abençoada pobreza de espírito da maioria que habita este rectângulo.  Mas não deixaria de ser engraçado ver o MRS chegar ao fim da vida a falar para as paredes rodeado de caixas de gelado e de fortiméis.

Vasco R

Óptimo artigo. No fim, somos governados por idiotas oportunistas e infelizmente, a grande maioria dos portugueses gosta e vota nesta gentalha, quanto mais socialista e esquerdola melhor.  Concluindo,  a grande maioria dos portugueses são ignorantes, de uma infantilidade gigantesca, primários a buscar a satisfação imediata, fatalistas e pouco ambiciosos. Uma miséria franciscana, agravada pela emigração de quase um milhão de jovens portugueses qualificados e empreendedores, compensados (sarcasmo intenso) pela escória muçulmana nojenta, indostânicos sujos e palops, que apesar de melhor se integrarem, são ainda mais ridiculamente infantis e ignorantes que os portugueses. Espera-nos um futuro brilhante.

Eduardo Lourenço

Excelente crónica.  Parabéns. 

Pedro Correia

Como sempre, excelente.
Muito mal vai a nossa classe política, quando até a Leonor Beleza, diz não compreender Pedro Passos Coelho. O que pensaria Champalimaud disso?

Liberal do Costume

É certo que o tuga vota à sua imagem e semelhança, em trafulhas, em chicos-espertos, em gente superficial. De vez em quando está mais "à rasca" e lá vai buscar alguém mais sério, para limpar o desastre precedente, não realmente para mudar alguma coisa de um país que o tuga considera perfeito. E mesmo para isso é preciso estar muito "à rasca".

observador censurado

Relativamente a governo e produtividade, recentemente o Canal Now num fim de semana apresentou-nos uma investigação jornalística sobre um prédio em que os moradores tinham grandes dificuldades para sair/entrar em casa porque o elevador estava avariado há 10 anos.

Havia casos em que moradores em cadeiras de rodas para poderem sair de casa e irem ao médico tinham de pedir ajuda a amigos que tinham de faltar ao trabalho para transportar os moradores pelas escadas até ao rés-do-chão.

O senhorio de todos aqueles moradores (proprietário do prédio) é o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, titulado pelo Irmão Miguel Pinto Luz.

Como o senhorio era o Estado fiquei com curiosidade em saber como os moradores iriam descalçar a bota porque uma acção contra o Estado demora, em média, pelo menos, 10 anos até que um Tribunal Administrativo titulado pela sra. Júdice emita uma primeira resposta. 

Teria o advogado do programa uma solução para aquele problema envolvendo vários ministérios (incluía também o Ministério da Saúde pois a saúde dos moradores presos em sua casa piorava)?  Depois de espremidas as palavras do advogado, parece-me que a solução seria apelar a Deus.

MariaPaula Silva > Liberal do Costume

Muito obrigada e igualmente.

Mas não concordo nada em que a AD (por favor, não me insulte nem à memória de Sá Carneiro) está a limpar seja o que for, mas sim a dar continuidade à porcaria deixada pelo sô Costinha.

MariaPaula Silva > Liberal do Costume

tem razão, não é para mudar, os portugueses odeiam mudanças, é apenas para «limpar a porcaria" quando ela atinge níveis insuportáveis. Que é o que está a acontecer  agora :)

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Prazer em reconhecer

 

Quadros de vidas femininas, em TEXTO de um pensamento justo e elegante expressão, que faz reconhecer, de facto, uma ESCRITORA, em Djaimilia Pereira de Almeida.

Fim de tarde

É esta a magia que ninguém consegue destruir: a de os estranhos se poderem ajudar uns aos outros sem saber que se ajudam.

Djaimilia Pereira de Almeida:    Escritora

OBSERVADOR, 18 set. 2026, 00:20

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Eram sete e meia da tarde, fim de Verão, o sol punha-se sobre os botes. Curvei a esquina do Clube Naval, pensando que tinha medo de estar ali àquela hora. Nunca se sabe o que esconde o fim da curva. Foi quando dei com a mulher sozinha, sentada à beira-rio, olhando as águas.

Não tinha medo de ali estar no lusco-fusco, pensei, o que me deu confiança. Estava tão completamente perdida nos seus pensamentos, tão distante das pessoas que passavam na marginal.

Pensei, porque o parecia, que tinha saído há pouco tempo do trabalho. Então, imaginei que tivesse aquele hábito: que antes de regressar a casa, se sentava sozinha nas margens, a pensar na vida.

À beira do rio, ao fim da tarde, observo outras mulheres como ela, que aparentam ser divorciadas: bebem um copo de vinho, sentadas na esplanada. Admiro-as na sua independência, as costas descobertas dos vestidos de linho preto, as sandálias douradas.

Sempre que chego a um lugar e vejo mulheres sozinhas por ali, entregues aos seus prazeres e ao seu próprio tempo, concluo que é um lugar relativamente seguro.

A mulher sozinha talvez não tivesse dinheiro para estar na esplanada. Mas não se privou da vista nem do murmúrio das águas. Absorta, sem telefone por perto ou outra distracção, olhava a corrente, olhando para dentro de si mesma.

Deu-me força que estivesse sozinha no meio dos outros, sem lhes prestar atenção. A mim, que não me abandono à solidão fora de casa, afligida por receios e demónios, a mulher sozinha diante do rio deu-me coragem.

Lá fui, dando passos tímidos, tentando não me desequilibrar na areia e nas pedras, a pensar que não havia razão para ter medo.

É esta a magia que ninguém consegue destruir: a de os estranhos se poderem ajudar uns aos outros sem saber que se ajudam. A possibilidade de nos encorajarmos mutuamente mesmo sem nos conhecermos, mesmo sem falarmos, apenas em virtude de nos observarmos e de nos reconhecermos.

Muitas pessoas enveredam, por vezes, em discursos grandiloquentes a favor da humanidade, perdendo de vista que a humanidade reside também no entendimento silencioso entre estranhos. Eu ia com medo e a mulher ao pé do rio tirou-me o medo.

Não me ocorreria interromper o seu silêncio, os seus minutos. Não fiquei a conjecturar como se chamaria, nem em que pensava.

Apenas a vi profundamente, como profundamente ela olhava as águas. E reconheci-a desse modo íntimo como alguém a par de mim, viva como eu, presa na sua circunstância, abalada pelas suas dores que não conheço, inteira e livre como gostaria que todas fôssemos.

Pessoas        Sociedade

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

CONTINUAÇÂO

 

 

Do Texto anterior:  

de  JOSÉ MANUEL FERNANDES: “O que a Alemanha e a Suécia nos dizem sobre o “não é não”

in “COMENTÁRIOS

Fernando ce

Nem mais. O centro, direita e a esquerda moderadas, acham que sabem o que o povo quer e não o ouvem. Até os comentadores da imprensa escrita e TV, são quase todos de esquerda.  O Expresso virou à esquerda com esta última direcção, acabando por reduzir o número de leitores. Só assim percebo o contacto telefónico insistente que me fazem para voltar a assinar o referido semanário. Leitor assíduo durante dezenas de anos, deixei de o ler.

Como referiu JMF esses defensores da pureza democrática deviam “começar por ter respeito pelos eleitores e pelas suas inquietações. Quando em vez disso se prefere erguer dedos acusatórios, o feitiço acaba por virar-se contra os feiticeiros (que são muitos, infelizmente).”

Note-se que na Suécia hoje é consensual o endurecimento da política migratória, introduzida pela direita radical.

Jorge Espinha

A Alemanha tem mais de 80 milhões de habitantes. Se na Alemanha um milhão de entradas de chofre causaram problemas sociais e nas capacidades de resposta dos serviços públicos,  1 milhão de entradas em Portugal é refresco? Parece que é!

Filipe Batista

O novo jogo dos partidos de esquerda é acelerar a substituição demográfica para obter os votos que está a perder junto dos europeus nativos.

Se a substituição demográfica não parar, podemos dizer adeus a Portugal. Mesmo que Portugal continue a chamar-se  Portugal, não será mais Portugal.

Joao Cadete

Cheganos são uma criação do PS, é bem verdade, mas é pior... Cheganos são agora mais xuxas que os xuxas... é ver as suas propostas.

João Floriano >Jorge Espinha

Refresco de cicuta, certamente.

Observador  > Joao Cadete

João Cadete, tem toda a razão. Os cheganos estão, em muitas matérias, mais socialistas do que os próprios socialistas. Não é à toa que lhe roubam eleitorado.

É a lógica populista: agradar a todos, prometendo dinheiro a todos, e logo se vê quem paga.

O Chega viveu muito à boleia da imigração, mas, quando olhamos para algumas propostas económicas, encontramos coisas que até o PCP dificilmente defenderia, como equiparar a pensão mínima ao salário mínimo e, ao mesmo tempo, baixar a idade da reforma.

Prometer é fácil. Fazer as contas é que estraga o populismo.

Ana Luis da Silva

Já vem tarde a reflexão de JMF.

O “não é não” deixou de ser problema a partir do momento em que o CHEGA já ultrapassou o PSD nas intenções de voto.

Se o CHEGA ganhar, ou melhor, quando o CHEGA ganhar, qual vai ser mesmo a resposta do PSD a colaborar com o partido mais votado? Se não o fizer, o CHEGA dará uma razia nos poleiros dos sociais-democratas, se o fizer, será engolido por um partido que se comprometeu a colocar o país à frente dos interesses partidários…

Em que ficamos, caros laranjinhas?

Observador

As cercas sanitárias aos partidos populistas de extrema-direita não parecem estar a resultar. E não há nada como ter responsabilidades governativas para sofrer o desgaste da governação, é assim em todo o lado. Falar é fácil, resolver é outra coisa.

A direita portuguesa fez bem em não cair nessa lógica. O “não é não” de Montenegro nunca significou uma cerca sanitária como algumas mentes mais limitadas podem pensar, significava não haver Chega no Governo nem coligação governativa com o partido. Outra coisa é negociar, votar em conjunto ou chegar a entendimentos parlamentares quando existe convergência. Aliás, isso já aconteceu várias vezes.

Relembro, que foi a própria direita, contra a vontade da esquerda, que considerou, e bem, que o Chega tinha todo o direito a estar representado nos órgãos da Assembleia da República.

Portanto, convém não confundir, uma coisa é excluir o Chega do Governo, outra é fingir que os seus deputados não existem. Quando forem úteis, negoceia-se. Quando não forem, cada um segue o seu caminho. O resto é a democracia a funcionar.

Paulo Almeida

A Alemanha está num buraco. A Afd ganhou também porque o país está desfigurado.

Mais de 20% de imigrantes

Mais de 8% da população toda são muçulmanos.

Mas sobretudo, em 2015 cerca de 80% da população tinha Pais alemães. 10 anos depois já é cerca de 68%.

E como os muçulmanos têm tipicamente muitos filhos e todos eles seguem a religião dos Pais (que remédio), não é preciso nenhum génio matemático para perceber o que será a Alemanha daqui a uns anos.

Na recente eleição, as pessoas saíram em força de casa para dizer basta a este rumo. Podem ser pobres nesse Estado, mas sabem se calhar melhor que os ricos da Baviera avaliar a sociedade e para onde vai.

E sabem o que querem. Sabem que não têm opção de mudar de casa ou país facilmente. Lutam por uma identidade.

E se cá não fazemos o mesmo, vamos dar ao mesmo local.

Paulo Simões > Filipe Paes de Vasconcellos

Mas qual extremismo???!!! Denunciar e querer parar a colonização da Europa por exemplo é extremismo? Ou será apenas bom senso? A verdade incómoda é que a realidade se tem encarregado de provar que os partidos "extremistas" têm tido razão desde o inicio e que os moderados não passam de umas baratas tontas.

João Floriano:

Costuma-se dizer que vemos as nossas costas pelas costas dos vizinhos. Já repararam como as nossas costas são território praticamente desconhecido no mapa do nosso corpo, território esse que apenas vislumbramos ao espelho ou numa foto?  A política portuguesa devia prestar muita atenção ao que acontece à nossa volta. e sobretudo tirar conclusões. Fala-se sempre na radicalização de uma parte do espectro partidário, neste caso a direita, não  a mansinha, a fofinha, a frufru que tão querida é pela esquerda, porque não traz qualquer problema. É uma flor de plástico que compõe um ramo de flores. Ajuda a manter a ilusão de que a esquerda é democrática, quando geralmente só o é na medida em que não conte com oposição. Mas e a radicalização da esquerda e até do centro? Nunca se fala nela? A terceira lei de Newton ou Princípio da Ação e Reação diz o seguinte:

A toda a força de ação corresponde sempre uma força de reacção de igual intensidade, mesma direcção e sentido oposto.

Terá havido posição mais radical nos últimos tempos do que o NÃO É NÃO de Montenegro?  Então qual a admiração com o que estamos a observar na vida partidária portuguesa?

madalena colaço

Comentadores, jornalistas, especialistas, políticos... parece não quererem entender e saber as verdadeiras causas de partidos como a AfD terem a votação que tiveram. SOBERANIA, é o que estes partidos prometem à população, em que a Constituição de cada país está acima da dita constituição europeia. Numa Europa, que caminha a passos largos para uma Europa Federada, sem que o povo tenha sido chamado a pronunciar-se, em que tudo é imposto de Bruxelas, desde as leis sobre a imigração às regras desastrosas que impuseram aos agricultores, (curiosamente foi na Alemanha e não em França que os agricultores se revoltaram primeiro com a legislação europeia que os está a estrangular), à senhora Van der Leyen que aceita sem discutir as tarifas que o Trump lhe impõe, e é esta mesma senhora que decide quais os canais de televisão que pode mandar fechar, como a RT, para já não falar das mensagens com a Pfizer que se recusa a mostrar e que pôs o orçamento europeu com dívidas, é toda esta arrogância que vem de Bruxelas que os eleitores já não suportam.  Agora, a comissária, juntamente com Macron, querem retirar a soberania que cada país ainda tem nas suas forças armadas para o comando da Europa. É este dirigismo da política europeia que está a revoltar quem tradicionalmente votava nos países do centro. Lembro que em 2013, quando surgiu a AfD, achei o partido extremamente corajoso porque a sua máxima era saírem do euro para voltarem a ter a soberania monetária. Coragem, porque nesses idos anos de 2013, era a Alemanha que tirava uma enorme vantagem de estar no Euro. A depreciação desta moeda por causa da crise da dívida de muitos países do euro, beneficiou a Alemanha nas suas exportações. Com um euro muito barato beneficiava das exportações mas para o partido, o importante, era regressar à sua Soberania monetária.

Vitor Batista > Joao Cadete

Criações do ps foram bancarrotas e tachos para os membros do politburo xuxalista, de resto nunca fizeram m*rda nenhuma de jeito.

Maria Gomes

Em Portugal o caso do não é não particularmente incompreensível. Estávamos a ser governados por um PS cada vez mais próximo de partidos de matriz soviética ou marxista com uma influência desproporcionada em áreas estruturais, como a saúde, a educação, a ferrovia, transportes e educação e cujos resultados estão à vista. Todas estas áreas estão num estado calamitoso. Veja-se os resultados do Pisa.

Além disso, estamos reféns de uma administração pública desgovernada e que nos trata como um incómodo do qual se precisa de livrar.

A preocupação devia ser pôr termo a isto tudo independentemente de o Chega também não ser solução.

Infelizmente temos a CS que temos, os mensageiros da geringonça.

Quando apareceu, a IL parecia estar bem consciente do papel que podia desempenhar denunciando o estado do país. A CS fez um silêncio ruidoso à volta deste partido. Os ganhos que a IL teve conseguiu nas eleições onde teve oportunidade de ser ouvida. Entretanto mudou de estratégia, já é tolerada pela CS, mas deixou de ser credível.

Por muito paradoxal que seja, devemos ao Chega ter travado parte da irracionalidade com que éramos governados.

José Paulo Castro

Ainda não entendi porque a cerca se chama sanitária...

Não será o caso porque apenas se aplica a políticos? Principalmente aos que a definiram?

Os eleitores parecem imunes ou indiferentes.

João Floriano > Ruço Cascais

Adorei, adorei, adorei esta versão contemporânea da Branca de Neve e dos sete anões, embora não tenha percebido onde estão os anões porque o Dengoso já há bastante tempo que cresceu. Estes contos dos irmãos Grimm só aparentemente são para crianças. No fundo são para adultos. Repare só na falta de vergonhice do conto do Capuchinho Vermelho. Começa logo por ser um capuchinho vermelho, uma cor que diz muita coisa. Depois a CPCJ é muito descuidada com a situação da Capuchinho que é mandada sem supervisão parental levar a bucha à avó. O lobo é um pedó…fi…lo sem recuperação que só pensa em comer a Capuchinho. Depois ainda explora a avó, o que é um caso de maus tratos a idosos. Então agora que sabe que a velha vai ter um reforço de pensão anda doido. Entretanto os lenhadores apanham o lobo em flagrante e dão-lhe um enxerto dos valentes. A sorte do lobo é que a senhora do PAN mete um recurso por ser um lobo ibérico e ele safa-se com termo de identidade e residência. E aí o temos de novo, a perseguir a Capuchinho e a sacar o cartão da avozinha para satisfazer o vício.

Ruço Cascais

Não é Não, uma história dramática.

Tudo começou com a Branca de Neve e os seus sete anões. Um deles, o Dengoso, tinha a líbido muito desenvolvida, e sempre que apanhava a Branca sozinha de joelhos a lavar o chão tentava a sua sorte. Branca de Neve que não gostava de homens baixos, muito menos de anões, travava com autoridade as investidas de Dengoso e dizia-lhe repetidamente com austeridade: NÃO É NÃO!

Dengoso andava desesperado e triste. Um dia enquanto se aliviava na floresta, ouviu os planos da Bruxa Má e do Príncipe Encantado para endrominarem a Branca e a seduzirem.

Dengoso limpou-se rapidamente a umas folhas secas e correu a grande velocidade para a Branca de Neve, e ainda ofegante disse-lhe: - ouvi agora o Príncipe Encantado e a Bruxa da mãe a conspirar sobre ti. - O que é que eles disseram? Perguntou a Branca cheia de curiosidade e com as hormonas aos saltos. Dengoso sabendo que Branca era muito alcoviteira e não resistia a um segredo, aproveitou a situação e respondeu: - conto-te tudo, mas só se baixares as calcinhas. Branca respondeu-lhe mais uma vez: - NÃO É NÃO.

Branca (Montenegro) tramou-se. O Príncipe Encantado (Carneiro) e a Bruxa Má (Brilhante Dias) envenenaram Branca com uma maçã podre (Luís Neves) e Dengoso (Ventura) deixou de tentar seduzir Branca e passou a chamar-lhe nomes feios e continuou a aliviar-se sozinho na floresta.

O NÃO É NÃO faz o caminho. 🤪

Tim do A > Fernando ce

O "Expresso foi sempre um jornal de esquerda, mas agora a roçar a extrema- esquerda, como o Público.

Ricardo Ribeiro  > Jose Miguel Pereira

Você sabia quem seriam os ministros do governo da AD/Montenegro? Talvez o das finanças...

Zé Pagador

Os partidos que defendem as cercas sanitárias ainda não viram que as cercas o que fazer e limitar os próprio que as defendem. O não é não é um exemplo disto. PS2 podia ter acabado com o CH armou em parvo agora vai ser o CH que vai absorver o PS2 e o que sobrar vai se juntar ao PS.

Filipe Paes de Vasconcellos

Tem toda a razão no que escreve neste seu excelente artigo.

No entanto, entendo que as “cercas sanitárias” são, ao contrário do que muitas vezes se pensa, provocadas pelos próprios que, devido ao extremismo e até fanatismo das suas ideias e propostas levam a que esses partidos  sejam excluídos pelo “sistema “ em benefício próprio.

Tim do A > Filipe Batista

Isso mesmo.

Ricardo Ribeiro > João Cadete:

Ui, a criação de um fundo soberano para intervenção em empresas "estratégicas", a taxação de lucros extraordinários das petrolíferas e a dádiva de um bónus anual aos pensionistas entre outros exemplos, é ser socialista?...talvez!